Vale a pena sublinhar algumas passagens do interessante trabalho realizado pela revista brasileira VEJA (ver post acima).Abstraindo-nos do facto do Brasil estar, nesta altura, entre os países mais empreendedores do mundo (fonte: Global Entrepreneurship Monitor), situação que facilita o investimento e o aparecimento de novos negócios, importa, não obstante, salientar que, em 2007, 17,5% dos brasileiros à frente de negócios em estágio inicial tinham entre 45 e 54 anos de idade (em 2001 representavam apenas 7% do total). Um exemplo elucidativo: em 2005, foi de 20.847 o número de pessoas com mais de 50 anos que abriram negócios só no Estado de São Paulo (um aumento de 36% em relação a 2000!). Mais: entre 2003 e 2007 aquele foi o único grupo etário a aumentar a sua participação na população ocupada em todo o Brasil.
Os séniores brasileiros estão cheios de garra. Escreve, a propósito, a jornalista Silvia Rogar: "No Brasil, a virada dos cinquentões é uma transformação palpitante do mercado de trabalho!".
A que se deve esta onda de empreendedorismo? Segundo a revista, ao aumento da esperança de vida e a uma vida mais saudável, além do espírito tipicamente empreendedor do brasileiro que serve de cultura a este movimento.
Aliás, a atmosfera que, neste momento, se vive no Brasil é convidativa. "O país vive um momento mágico: o ambiente está favorável para tocar negócios e trabalhar com novas ideias" - disse à revista VEJA um empreendedor de 54 anos, Luiz Majolo, que antes de ter o seu próprio negócio era vice-presidente do banco ABN Amro Real.
O mesmo espírito está a proliferar noutros países. O grupo norte-americano Merrill Lynch fez um estudo entre a população dos Estados Unidos e 71% dos entrevistados confessaram desejar manter algum tipo de trabalho após a reforma, não tencionando deixar de estarem ocupados em alguma actividade produtiva antes dos 70 anos de idade.
Os séniores representam uma força intelectual que os países não se podem dar ao luxo de desprezar! E será cada vez mais essa a tendência pois a esperança de vida vai aumentar nos próximos 15 anos no Ocidente. As nações precisam do talento e da experiência dos mais velhos!
A este propósito, o recente livro de James Canton, THE EXTREME FUTURE, que resultou de um amplo estudo sobre as megatendências da economia, da sociedade, da ciência e da tecnologia, alerta para o facto das nações industrializadas virem a precisar de mão-de-obra especializada e muito competente que só se encontra nos séniores.
A verdade é que, no Brasil, as empresas estão também a recrutar especialistas séniores. Segundo a revista, o número de "cinquentões" recém-empregados cresceu 50% no último ano, enquanto o de jovens apenas aumentou 30%. Parece que há cerca de 200 mil vagas por ausência de gente preparada para ocupá-las (fonte: Ipea). Os recém-licenciados não estão à altura de o fazer, sobretudo para cargos e funções de grande exigência e responsabilidade. Faltam, por exemplo, engenheiros.
Diz a VEJA: "Situação típica de nações que, como o Brasil, crescem em ritmo veloz e passam a requerer um grande número de profissionais de bom nível para suprir as novas demandas da economia". E entre os reformados há um tipo de pessoas que está a interessar às empresas: aqueles que já haviam consolidado a carreira e se mantêm, de alguma forma, ligados à sua área. E para onde estão a ser chamados os séniores brasileiros? Para (por ordem decrescente) engenharia civil, engenharia mecânica, farmácia, engenharia química, análise de sistemas, engenharia metalúrgica, agronomia, engenharia electrónica, engenharia eléctrica e telecomunicações.
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